Gil Eanes Vivekananda é instrutor (Dai Si Hing) de Wing Chun e Escrima pela proWES.
Como você começa o seu dia? Você tem uma rotina matinal?
Minha rotina não é muito regular, principalmente quando viajo. Porém, quando consigo, tento me dedicar às práticas contemplativas em silêncio como yoga, meditação, estudos sobre budismo e algumas práticas de artes marciais.
Como você administra o seu tempo? Você prefere ter vários projetos acontecendo ao mesmo tempo?
Não tenho algo muito organizado e regular. Se viajo, vou me adaptando. Em outros momentos que fico mais tempo sem viajar, divido meu dia entre as práticas contemplativas, fico em contato com alunos nas aulas de Wing Chun e também me dedicado às relações em geral.
Sobre os projetos, se possível prefiro focar em poucos. Mas quando preciso administrar vários ao mesmo tempo sinto ser menos eficaz.
Como é sua relação com a tecnologia? O e-mail tem interrompido sua vida produtiva? Que ferramentas você usa para se manter organizado?
Na relação com a tecnologia, ainda me sinto bastante analfabeto digital. Acabo usando na maior parte do tempo o whatsapp, pelas conversas serem mais dinâmicas, áudios e vídeos que posso trocar. O facebook também tem sido uma ferramenta para divulgar meu trabalho e para manter ativa certas relações.
O e-mail não tem interrompido minha vida produtiva. Acredito que o whatsapp tem interrompido mais. No mailchimp, estou aprendendo a fazer uma newsletter e cadastrar as pessoas interessadas em meus movimentos. Me parece uma forma mais eficaz e produtiva.
Como costuma ser o seu local de trabalho? Você precisa de silêncio e um ambiente em particular para trabalhar?
Boa parte de meu ambiente de trabalho é na relação com as pessoas. Seja ao vivo, recebendo em minha casa (centro de treinamento), viajando em encontros dos alunos ou online.
Não preciso de um ambiente específico para trabalhar, mas por estar acostumado a morar num sítio, dou preferência a um ambiente mais silencioso, se possível.
De onde vêm suas ideias? Há um conjunto de hábitos que você cultiva para se manter criativo?
Minhas ideias surgem da motivação de poder trazer mais benefícios às pessoas. Os hábitos, além das práticas contemplativas, buscam lembrar diariamente a motivação, o que pode trazer mais felicidade às pessoas com as habilidades que eu consigo oferecer.
Como você lida com bloqueios criativos, como o perfeccionismo, o medo de não corresponder às expectativas e a ansiedade de trabalhar em projetos longos?
Com bloqueios criativos, às vezes percebo que preciso de mais espaço interno (meditar) e externo (se desocupar) ou deixar aquilo com mais tempo para germinar, ou seja, tentar parar de ficar pensando naquilo. Também ajuda pedir opiniões às pessoas e ficar aberto para ouvir diferentes visões.
Com o perfeccionismo, medo de não corresponder às expectativas e projetos longos: lembro da motivação de fazer algo que ajude a cultivar mais felicidade e menos sofrimento na vida das pessoas. E sabendo das minhas limitações, busco doar o melhor que consigo, entendendo que às vezes certas coisas acontecem de maneira caótica e depois se tornam mais orgânicas, não tão estruturadas.
Você desenvolveu técnicas para lidar com a procrastinação? Que conselhos sobre produtividade não funcionaram para você?
Percebo que simplificar a vida, abrir mais espaços (diminuir afazeres) e meditação silenciosa me ajudam. Como meu tempo é dedicado mais na relação com as pessoas, procrastinar seria não conseguir dar a devida atenção a elas, para apoiá-las com o que consigo oferecer. Não consigo me lembrar agora de algum conselho para não procrastinar que não funcionou e nem ao menos se tentei.
Qual é o livro que mais mudou a sua vida e por quê? O que você considera inspirador ler ou aprender sem que lhe peçam ou esperem isso de você?
Para mim, não acho que tenha um livro que mudou minha vida. Com o decorrer dos anos venho mudando a visão. Alguns livros que podiam ser bons numa época, hoje eu nem teria em minha estante. Outros a cada ano que releio tenho uma nova compreensão.
Eu considero inspirador ler ou aprender assuntos relativos ao Darma, que são ensinamentos do budismo ou artes marciais. Principalmente sobre a biografia de mestres.
Que conselho você queria ter ouvido aos vinte anos? Com o que você sabe hoje, se tivesse que começar novamente, o que você faria de diferente?
Mais importante do que fazer o que gosta, é fazer algo para ajudar a cultivar uma mente que possa trazer mais felicidade e menos sofrimento às pessoas.
Assim, independente do que estamos fazendo, além de gostar e não gostar, podemos ter maior contentamento e sentimento de trabalho significativo na vida.
Se eu tivesse que recomeçar, o faria buscando cultivar mais claramente a motivação descrita acima. Pois nessa época e até poucos anos atrás, busquei mais fazer o que gostava.
Que projeto você gostaria de fazer, mas ainda não começou? Que livro você gostaria de ler e ele ainda não existe?
Talvez escrever algo mais detalhado e com experiência viva sobre a relação de arte marcial e treinamento da mente. O livro que gostaria de ler seria sobre esse assunto e de forma mais estruturada, detalhada. Ainda não encontrei e não tenho certeza se existe. O mais próximo dessa linha é O Zen e Artes Marciais, de Taisen Deshimaru, que são anotações de palestras dele. Não é um livro que foi escrito especificamente para isso, mas assim mesmo é um texto que acho fantástico.